Porque a vida não é um lugar comum. "Transmutar su carne en alma; luego su alma en sueño"

07
Jun 10

Lamento, não era suposto eu falar sobre este tipo de assunto.

Mas há alguns dias atrás, um certo mail espicaçou-me um pouco o ego.

 

Era algo do género,

 

"De Mirandela tens as excelentes alheiras (para quem aprecie, o que não é de longe o meu caso!)

o azeite (este sim, um ouro líquido divino e nutricionalmente perfeito)

a paisagem (também a considero deveras fabulosa!)

e a Bruna..."

 

Com o devido respeito, temos coisas melhores e bem mais importantes lá na terra.

Sou uma boa transmontana (tripeira-transmontana é um neologismo mais correcto) - e como tal defendo as origens. E dizerem-me que a Bruna é um pedaço memorável, é um pouco demais.

  

É louvável mostrar respeito por aquilo que temos de bom e que não é efémero!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

magnetizado por Bibs às 19:16

03
Abr 10

O regresso à terrinha reveste-se de um misticismo inexplicável.

Há algo diferente, um sentimento de aconchego.

Eu nasci no Porto. É no Porto que sou mais eu... É no Porto que começo e acabo... Mas um pedaço meu está aqui, e não posso perder este lugar de mim, correndo o sério risco de me perder.

 

Gosto de cá vir... Os dias aqui são mais longos, parece que o tempo pára. O tempo mente e diz que chega para tudo. Não chega, mas finge muito bem.

Durmo bem aqui. Como bem (demais) aqui... É quase visceral o prazer das antigas descobertas; os encontros com o sol e com as ruas em silêncio; o tocar do sino, límpido, puro, sem entraves. Um ou outro carro a passar, a buzina ao longe... Parece que os sons ecoam sem cessar. Os cheiros familiares estão por toda a parte. E os rostos reencontrados, já de tez enrugada e pouco enxuta, dão-me ideia que a vida tem de ser bem vivida.

 

Amanhã é dia de partir. Não parto com o desencanto de quem já tem a saudade do que acaba de deixar. Parto sabendo que, por poucas vezes que cá volte, vou seguramente gostar.

 

Pode parecer estranho, mas sinto que o tempo pára mesmo quando saio daqui. De cada vez que volto, olho em redor, muita coisa mudou mas, na essência, está exactamente igual. Como se esta cidade adormecesse num sono de paz de cada vez que me vê partir.

 

 

 

magnetizado por Bibs às 20:06

11
Abr 09

 

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...


Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

 

Alberto Caeiro


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