Porque a vida não é um lugar comum. "Transmutar su carne en alma; luego su alma en sueño"

07
Out 07
Um capricho pode durar uns tempos. É como desejar “ardilosamente” o casaco de caxemira pura, o carrinho bonitinho, o gadget, e toda uma panóplia de coisas dispensáveis que nos conferem a ilusão da felicidade, até se esgotarem e serem preteridos em função de novo capricho. O ciclo recomeça, a tralha amontoa-se, e como boa portuguesa tenho de acrescentar: o povo endivida-se.
Começo por dizer que sou filha única (das que sempre foi entusiasta de ter irmãos), mas caprichos tive muito poucos. Talvez haja uns quantos que não me lembro. (Provavelmente, algum boneco fashion que ansiei sem limites… ) Nunca pedi a TV no quarto, o telemóvel, o computador,... Lembro-me de pedir a aparelhagem, a viagem a Inglaterra e mais umas quantas ninharias que me fizeram imensamente feliz.
Ou seja, isto não pode ser capricho, porque:
1) não sou, por natureza, de caprichos;
2) depois de tanto tempo, já me teria passado;
3) se, efectivamente, fosse capricho, era passível de troca por outro capricho tangível.
Tendo em consideração as 3 premissas anteriores e acrescentado que há, indiscutivelmente, muitos caprichos tangíveis, concluo num misto de amargor, resiliência, satisfação e frustração:
Não é capricho. Assunto encerrado? Não…
Não sendo capricho, assolam-me 3 questões problemáticas:
1) Passar-me-á? 2) Quando? 3) Ou será tangível???
Até ao dia 3D (Decisivo ou Desarmante ou Delirante), acendo a velinha… Aliás, acendo a velinha electrónica, que agora até a fé se rende à high tech. Para quando o guide tour virtual ao santuário de Fátima? Se chegarmos a este nível, a nova igreja era dispensável…
Iremos teclar no msn para confessar pecados ao Sr. Padre? (A nossa tutela anda a fazer por isso: portáteis para os pupilos com net (pormenor irrelevante: 3 anos de subscrição obrigatória), wireless em quase tudo o que é patagónia de terra do Portugal profundo, fora os computadores oferecidos às Juntas de Freguesia (mais aquele que deram ao menino pastor que entrou numa grande reportagem e que era muito bom aluno. Ok, esse não foi a tutela). A penitência será paga como? Recebe-se um vírus? Ou faz-se trabalho comunitário eliminando spam da caixa de correio da paróquia?

Foi um raciocínio estrondoso até agora (ora, não é pretensiosismo balofo!) E esta última frase não vai fazer jus ao resto. Mas apetece-me (e se este apetecer é capricho, que se lixe):
Se "isto" tiver a dimensão da pequenez do mundo, sei que não posso largar este barco. É que a sua pequenez só faz com que ele demore pouco tempo a girar.

e como o outro disse, e bem:

“The world turns to bring us together”
Quanto tempo falta?

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